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Educação

Desigualdade racial aparece no acesso à água, no ensino e na formação docente

Estudo do Cedra compara escolas predominantemente negras e brancas em infraestrutura, nível socioeconômico e qualificação de professores.

Desigualdade racial aparece no acesso à água, no ensino e na formação docente

O acesso a serviços básicos revela uma das principais diferenças entre escolas predominantemente negras e predominantemente brancas no Brasil. Em instituições com maior concentração de estudantes negros, 36,9% das matrículas estavam em unidades sem acesso à rede pública de esgoto, ante 18,5% nas escolas com predominância branca. A diferença também aparece no fornecimento de água e na coleta de lixo.

Os dados fazem parte do estudo “Raça e desigualdade de oportunidades educacionais no Brasil: evidências do ensino fundamental e médio”, elaborado pelo Cedra (Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais) com microdados do Censo Escolar e indicadores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Os resultados preliminares foram apresentados no Seminário Desigualdades Raciais na Educação, realizado na sede da Ação Educativa, em São Paulo (SP).

Nas escolas predominantemente negras, 14,4% das matrículas de estudantes negros estavam em unidades sem acesso à rede pública de água, contra 5,4% entre estudantes brancos. A falta de água potável atingia 1,6% dos estudantes negros e 0,7% dos brancos. Já a ausência de coleta de lixo alcançava 5,2% e 1,4%, respectivamente.

A diferença se estende aos espaços pedagógicos. Não havia bibliotecas ou salas de leitura para 26,5% dos estudantes negros, ante 21% dos brancos. Laboratórios de informática estavam ausentes em 55,3% das escolas predominantemente negras e em 45,4% das predominantemente brancas. Quanto às quadras esportivas, os percentuais eram de 39,8% e 29%.

Formação dos professores

O levantamento também identificou disparidades na adequação da formação docente, considerada a proporção de professores com licenciatura na área em que lecionam. Nos anos finais do ensino fundamental, 62,5% dos docentes das escolas predominantemente brancas tinham formação adequada, contra 35% nas escolas predominantemente negras.

Nos anos iniciais, os índices das escolas predominantemente brancas passaram de 73,2% em 2019 para 79,2% em 2025. No ensino médio, a diferença, que era de 7,1 pontos percentuais em 2019 — 66,8% contra 59,7% —, caiu para 3,2 pontos percentuais em 2025. Ainda assim, a diferença geral entre escolas predominantemente brancas e negras permanecia em 27 pontos percentuais em 2025.

O estudo considera que estudantes negros, que representam 50,3% das matrículas da educação básica, cerca de 23,1 milhões de matrículas, estão mais concentrados em escolas com menor nível socioeconômico. A pesquisa usou uma escala de 1 (menor) a 7 (maior): no nível 1, não foi identificada nenhuma escola predominantemente branca; no nível 2, esse perfil correspondia a 0,1%.

Para classificar as instituições, os pesquisadores consideraram a declaração de cor ou raça dos estudantes. Escolas com 60% ou mais de matrículas de estudantes negros foram definidas como predominantemente negras. Cristina Lopes, diretora-executiva e pesquisadora do Cedra, afirmou que a estrutura escolar influencia o desempenho e a trajetória dos alunos.

Entre as recomendações estão a melhoria da infraestrutura, o fortalecimento da formação inicial, programas de mentoria para professores em início de carreira e políticas de distribuição de docentes com formação adequada para escolas mais vulneráveis e predominantemente negras. O estudo também propõe acompanhar os efeitos dos recursos adicionais da complementação do Fundeb, via VAAR, e ampliar a produção de dados educacionais desagregados por raça.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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