SÃO PAULO — O número de professores com até 24 anos que atuam no ensino médio caiu 31,1% entre 2015 e 2025, segundo a pesquisa Apagão dos Professores, do Semesp. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (16), durante o Fnesp, em São Paulo, com base em dados do Censo Escolar, do Inep.
Na rede pública, o total de docentes do ensino médio cresceu 6,6% no período e chegou a cerca de 557,4 mil profissionais no ano passado. A composição etária, porém, mudou: houve redução nas faixas mais jovens e aumento na participação de professores com mais idade.
Entre os docentes de até 24 anos, o número caiu de 17.320, em 2015, para 11.937, em 2025. Na faixa de 25 a 29 anos, a redução foi de 19,8%, com queda de 62.481 para 50.088 professores. Entre profissionais de 30 a 39 anos, o recuo chegou a 12,3%, passando de 179.319 para 157.254.
O movimento foi inverso entre os professores mais velhos. O grupo com mais de 60 anos aumentou de 18.243 para 37.301, uma alta de 104,5%. Já a faixa de 55 a 59 anos passou de 31.105 para 46.108 profissionais, crescimento de 48,2%.
Para Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, os dados indicam envelhecimento do quadro docente associado à baixa atratividade da carreira. O estudo relaciona o cenário a fatores que incluem, além dos salários, a redução de cargos concursados e efetivos e a baixa percepção de respeito em relação aos professores.
“Enquanto diminui a presença de professores jovens, cresce o contingente de profissionais mais velhos”, afirmou Capelato. Segundo ele, o aumento dos contratos temporários atende às necessidades imediatas das redes, mas cria dificuldades para a reposição e a permanência de docentes no médio e longo prazos.
Entre 2015 e 2025, o número de professores temporários cresceu 40,4%, de aproximadamente 146 mil para 205 mil. A participação desse grupo no quadro público passou de 32,2% para 43,4%.
No mesmo período, o número de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de aproximadamente 305 mil para 255 mil. A participação desses profissionais recuou de 67,2% para 54,1%. O levantamento aponta cerca de 50 mil professores efetivos ou estáveis a menos e 59 mil temporários a mais.
O estudo também afirma que os temporários não são contemplados nos planos de carreira dos governos estaduais, o que limita a progressão profissional e o acesso a salários mais altos.



