BRASÍLIA — O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá ter um novo formato a partir de 2028. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) discute alterações nas matrizes de referência, adequação à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), reorganização das questões e revisão da redação. A proposta deve ser finalizada até o fim do ano.
A principal mudança em debate é distribuir atividades de escrita ao longo da prova, em vez de concentrar a produção em um único texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas. As tarefas poderiam ter tamanhos e gêneros diferentes, incluindo textos de 20, dez e cinco linhas nas áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática.
A discussão ocorreu em uma reunião do Inep com educadores de diferentes regiões. Raphael Kapa, da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep) e coordenador do Colégio Andrews, afirmou que a proposta busca avaliar a capacidade de o estudante ajustar sua argumentação ao gênero, ao interlocutor e à finalidade de cada texto. Entre os formatos mencionados estão cartas de reclamação, artigos de opinião, editoriais, manifestos, discursos públicos e resenhas críticas.
Competências e organização da prova
A reformulação também prevê a adaptação do Enem à atual política para o ensino médio. O Inep debate organizar as quatro grandes áreas do conhecimento em quatro competências cada, com implantação gradual até 2032. Outra possibilidade é descrever as competências com verbos como identificar, analisar e avaliar, indicando de maneira mais direta a operação intelectual esperada em cada situação.
Filipe Couto, professor e diretor pedagógico do Colégio pH, participou do encontro e avaliou que a medida poderá esclarecer para professores e estudantes quais habilidades deverão ser estudadas.
Para reduzir o desgaste durante a aplicação, o Inep estuda ampliar o uso dos testlets, blocos de questões baseados em um mesmo texto. A metodologia já foi utilizada no Enem de 2025 e pode diminuir a necessidade de leituras repetidas. Kapa relacionou a proposta à ampliação das condições de interpretação dos candidatos.
Matemática e Ciências da Natureza
As áreas de Matemática e Ciências da Natureza também poderão ganhar competências transversais ligadas aos conhecimentos de matrizes africanas e indígenas. Couto disse que esses saberes podem ser cobrados na análise de conhecimentos matemáticos e de contribuições para a construção do conhecimento científico e tecnológico.
A discussão ocorre em meio a resultados sobre leitura. Segundo o Pisa 2025, 49% dos alunos brasileiros de 15 anos alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar mínimo. Pouco mais da metade ficou abaixo desse nível.
O Inep informa que o formato ainda não está definido. A intenção é que, em 2028, o exame avalie o ensino médio em alinhamento à BNCC e à Política Nacional do Ensino Médio. Os detalhes da implementação ainda serão discutidos e consolidados até o fim do ano.




