SÃO PAULO — A Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), suspendeu a contratação da plataforma EducaOpen e interrompeu o processo de concessão e renovação de bolsas após a mobilização de estudantes. O sistema usaria o Open Finance para acessar informações financeiras mediante autorização dos usuários.
A fundação informou que o procedimento voltou ao modelo anterior, definido por ela como "moroso". A reitoria da PUC-SP disse que reconhece o direito de manifestação dos estudantes e defende o diálogo para tratar dos impasses.
O Open Finance é regulado pelo Banco Central e permite o compartilhamento de dados bancários e financeiros entre instituições. A Fundasp afirma que o projeto Bolsa Conecta buscava tornar o processo mais rápido e seguro, sem custo adicional para os estudantes. Segundo a instituição, seriam coletados, com autorização prévia, os mesmos documentos e informações já exigidos na análise tradicional.
Questionamentos sobre dados e avaliação
Os estudantes questionam o acesso a dados bancários, o uso de informações socioeconômicas e a necessidade de recorrer ao Open Finance. Também afirmam que não receberam informações suficientes antes da apresentação da plataforma, realizada em 27 de agosto, no campus Monte Alegre.
A Fundasp diz que não haveria uso de inteligência artificial. A avaliação continuaria a cargo de assistentes sociais e analistas do Sabe (Setor de Bolsas da PUC-SP). A EducaOpen afirma que a ferramenta acessa categorias como renda, despesas e patrimônio, com consentimento expresso e observância da LGPD.
A empresa informou ainda que o estudante pode recusar o uso do Open Finance e apresentar a solicitação por outros meios. O acesso ficaria limitado à finalidade do processo de bolsas, e uma nova autorização seria necessária para consultas depois do prazo permitido. A regulamentação possibilita o compartilhamento por até 12 meses, mas cada instituição define o período adotado.
Uma liderança estudantil relatou que, durante a apresentação, foram mencionados prazos de três, seis e até 12 meses. Os alunos também apontam dificuldades no processo atual de renovação, feito em setembro e outubro, como cartas sobre vulnerabilidade socioeconômica, assinaturas de pessoas de fora da família e prazos curtos para o envio de documentos.
Após a suspensão, bolsistas receberam uma mensagem da Fundasp por WhatsApp. Lideranças criticaram o texto e afirmaram que a reivindicação por um processo mais simples é anterior ao EducaOpen.
Sete entidades participam formalmente da articulação. O movimento pretende discutir, nas próximas assembleias, a possibilidade de paralisação caso a plataforma volte a ser adotada. A principal reivindicação é que mudanças no sistema de bolsas sejam debatidas previamente com os estudantes e tenham transparência sobre o uso e o tratamento dos dados.
A Fundasp afirma manter disposição para o diálogo e diz que busca garantir o atendimento aos estudantes e a manutenção das bolsas.



