SÃO PAULO — As taxas de inscrição para os principais vestibulares públicos de São Paulo e para o Enem somam ao menos R$ 768 em 2026. O valor inclui Fuvest (R$ 228), Unicamp (R$ 230), Unesp (R$ 225) e Enem (R$ 85), o equivalente a 47,4% do salário mínimo vigente, de R$ 1.621.
A cobrança tem provocado reclamações de candidatos, especialmente nas redes sociais. Em alguns processos seletivos, a taxa ultrapassa R$ 200. Os valores são usados para custear a elaboração, a impressão, o transporte, a segurança, a aplicação e a correção das provas, além de despesas operacionais das instituições.
Se for incluída a taxa do sistema misto da Unifesp, voltado ao vestibular de medicina, a despesa pode alcançar R$ 925. O cálculo considera o valor de R$ 157 cobrado em 2025, já que a taxa de 2026 ainda não foi divulgada. Nesse cenário, as cinco inscrições representariam 57,1% do salário mínimo.
Comparação com 2011
Apesar da alta nominal, o custo conjunto das cinco provas corresponde hoje a uma parcela menor do salário mínimo do que há 15 anos. Em 2011, as inscrições somavam R$ 473, enquanto o salário mínimo era de R$ 545. As taxas equivaliam, naquele momento, a 86,8% do salário mínimo.
No período entre 2011 e 2026, a inflação acumulada pelo IPCA foi de cerca de 139%. A soma das inscrições cresceu menos que esse índice e, em termos reais, ficou menor.
A Fuvest passou de R$ 120 para R$ 228, alta nominal de 90%. A taxa da Unicamp subiu de R$ 128 para R$ 230, aumento de 79,7%. Na Unesp, o valor foi de R$ 110 para R$ 225, crescimento de 104,5%. Já a Unifesp passou de R$ 80 para R$ 157, alta de 96,3%.
O Enem foi a exceção: a taxa aumentou de R$ 35 para R$ 85, alta nominal de 142,9%, acima da inflação acumulada. O exame mantém um dos menores valores entre os processos seletivos do país.
Destino dos recursos
Segundo Gustavo Monaco, diretor da Fuvest, a arrecadação financia etapas como elaboração, revisão, impressão, transporte, segurança, aplicação e correção das provas. A fundação também utiliza os recursos para despesas fixas, como folha de pagamento e manutenção predial e patrimonial, distribuídas entre os processos seletivos conforme o número de inscritos.
A Comvest, responsável pelo processo da Unicamp, informa que é mantida exclusivamente pelas taxas. O dinheiro paga funcionários, planejamento, aplicação dos vestibulares, elaboração, impressão e correção das provas, além da logística, do transporte, da segurança e das equipes de fiscalização.
Na Unesp, os custos incluem as duas fases das provas, as equipes de aplicação, a impressão e o transporte de materiais para 35 cidades e o aluguel dos prédios utilizados nos exames.
O Inep afirma que a taxa de R$ 85 do Enem de 2026 cobre parte das despesas. O instituto também prevê isenção para grupos como estudantes concluintes do ensino médio em escolas públicas, egressos da rede pública de baixa renda e inscritos no CadÚnico, conforme critérios socioeconômicos.
Na Unifesp, a Fundação Vunesp é contratada para elaborar, aplicar, corrigir e operacionalizar o processo. A universidade afirma que a taxa é definida a cada edição e que a arrecadação pode não cobrir todo o custo, especialmente quando há despesas com candidatos isentos além das 1.000 vagas previstas no contrato.
Isenção e apoio
Os vestibulares citados oferecem isenção ou desconto a estudantes que atendam aos requisitos. Em geral, podem solicitar o benefício integrantes de famílias com renda per capita de até 1,5 salário mínimo. Para quem cursou todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista, o limite pode chegar a dois salários mínimos.
Os pedidos de isenção dos demais processos foram encerrados neste ano. No sistema misto da Unifesp, a solicitação permanece aberta até as 16h do dia 11 de setembro de 2026.
Estudantes que perderam os prazos também podem buscar iniciativas que pagam a taxa para determinados públicos, como o Movimento Amplia, criado para apoiar o ingresso de jovens negros e indígenas nas universidades.



