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Polícia investiga suspeita de golpe com consórcios imobiliários em Goiás

Oito pessoas relatam prejuízos após contratar cartas de consórcio por meio de uma corretora de Anápolis; uma vítima perdeu R$ 86.292.

Polícia investiga suspeita de golpe com consórcios imobiliários em Goiás
Foto: Arquivo pessoal/Gabrielly Santos Silva

A Polícia Civil investiga uma corretora de consórcios de Anápolis, em Goiás, suspeita de receber pagamentos de clientes e não repassar os valores às administradoras. O caso veio à tona após denúncias de oito pessoas, que afirmam ter sido lesadas em contratos de consórcios imobiliários.

A principal vítima é a empreendedora Maria de Fátima Pires da Silva, de 58 anos, natural de Goiás e moradora de Portugal há 27 anos. Ela conheceu Julliana de Freitas Pinheiro pelas redes sociais, em 2024, e foi informada de que poderia contratar consórcios e depois vender as cartas para obter rendimentos.

Maria de Fátima indicou a suposta oportunidade a parentes e amigos. Segundo ela, quatro contratos foram feitos em seu nome: um de R$ 3 milhões, outro de R$ 1 milhão e dois de R$ 250 mil. As parcelas iniciais foram pagas, mas os valores entregues mensalmente à corretora não teriam sido repassados às administradoras.

O prejuízo inicialmente calculado foi de R$ 109, 7 mil. Depois que as administradoras devolveram R$ 23.802, o prejuízo atual informado pela empreendedora passou a ser de R$ 86.292. O valor inclui contratos dela e de mais três familiares. As demais vítimas relataram perdas que somam R$ 53.800. Apenas uma pessoa conseguiu recuperar todo o dinheiro pago.

Contemplação não confirmada

Em 2025, Julliana informou a Maria de Fátima que a carta de R$ 1 milhão havia sido contemplada. A corretora teria recomendado que o dinheiro não fosse sacado e permanecesse aplicado por seis meses. A empreendedora esperava receber os valores em janeiro de 2026, mas afirma que não recebeu a documentação solicitada.

Maria de Fátima e a filha, Gabrielly Santos Silva, começaram a gravar as ligações com Julliana. Em uma conversa realizada em fevereiro deste ano, a corretora teria admitido que não houve contemplação. A família afirma que o comprovante enviado anteriormente era falso.

No mesmo mês, Maria de Fátima registrou uma ocorrência na delegacia de Indiara. A Polícia Civil investiga o caso. Segundo as vítimas, Julliana recebia os pagamentos, mas não quitava as parcelas e as administradoras não tinham conhecimento do procedimento.

As reuniões entre Maria de Fátima e Julliana eram virtuais. Gabrielly relatou que as duas se encontraram apenas uma vez, em 2025, quando a empreendedora foi ao Brasil após a morte da mãe. O encontro ocorreu em uma padaria depois que uma reunião no escritório foi cancelada.

Administradoras citam acordos e regras

A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios informou que uma resolução do Banco Central, publicada em julho de 2022, não exige certificação para profissionais que representam administradoras. A entidade ressaltou, porém, que esses representantes devem atuar sob as diretrizes da administradora contratante.

A HS Consórcio, citada como uma das administradoras dos contratos, não havia se manifestado até a última atualização das informações. O Consórcio Servopa afirmou que Julliana não era parceira autorizada para vender cotas e que duas cotas de Maria de Fátima foram comercializadas por meio da empresa de Sônia de Freitas Borges, apontada pelas vítimas como mãe da corretora.

O Servopa informou ter celebrado um acordo com Maria de Fátima e devolvido integralmente os valores pagos diretamente à administradora. A empresa declarou que não recebeu valores entregues a Julliana ou a terceiros e que não compactua com promessas de contemplação, falsificação de documentos ou práticas de venda enganosa.

Julliana informou que se manifestaria por meio de advogado. Marcus Vinicius Holanda Serra afirmou que ela não cometeu crimes e classificou o caso como um desacerto comercial e problemas no casamento. Ele também declarou que a cliente está em situação de vulnerabilidade emocional e que os pagamentos estão sendo feitos.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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