PALMEIRAS DE GOIÁS — O menino de 10 anos atingido por três tiros na cabeça deixou a sedação e voltou a falar. Ele segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Conforme o hospital, o estado geral é estável e a criança respira espontaneamente.
O avô, Josmar Costa, afirmou que o neto está consciente, acordado e com as funções cognitivas ativas. A criança fala com dificuldade, balbucia palavras em volume baixo e responde a estímulos com gestos e apertos de mão. Ainda não há previsão médica para a transferência do menino para a família.
“Para alguém que foi diagnosticado com um quadro clínico irreversível, considero um progresso extremamente significativo e esperançoso”, disse Josmar.
O avô relatou que o menino foi extubado com sucesso na terceira tentativa e que pede para voltar para casa, em Anápolis. Segundo Josmar, a criança chegou a pedir para tomar chá, como fazia na rotina. Ele também agradeceu aos bombeiros responsáveis pelo transporte aéreo, às equipes médicas de Palmeiras de Goiás e do Hugol, além das pessoas envolvidas nas doações de sangue e no apoio financeiro que permitiu a chegada do pai da criança, vindo de Portugal.
Investigação
O caso aconteceu no dia 14 de setembro e é investigado como tentativa de homicídio qualificado. A mãe, o padrasto e o dono da fazenda onde o casal morava estão presos temporariamente.
A primeira versão apresentada pela mãe era de que o menino teria disparado acidentalmente contra a própria cabeça. A Polícia Civil, porém, afirma que a criança foi atingida por três disparos. Segundo o delegado André Veloso, dois tiros atingiram a parte da frente da cabeça, enquanto o terceiro acertou a lateral e atravessou, atingindo o cérebro.
A investigação também apura o relato do padrasto, que disse ter saído de casa por volta do meio-dia para visitar uma fazenda vizinha e que não presenciou o disparo. De acordo com o delegado, os policiais constataram que a visita ocorreu em horário muito próximo ao tiro. O investigador afirmou que o homem chegou ao local sem avisar previamente e recebeu, após 10 minutos, um telefonema sobre o suposto acidente. Para a Polícia Civil, a situação pode ter sido uma tentativa de criar um álibi.
O delegado declarou ainda que o dono da fazenda se considerava pai afetivo do padrasto. Quando a Polícia Militar foi à residência, ele teria impedido os militares de falar com a mãe, alegando que ela estava abalada.
Relatos de agressões
André Veloso também afirmou que o menino sofria agressões recorrentes como forma de correção, com marcas nos braços, no tronco e nas pernas. Na data do disparo, os envolvidos disseram ter ouvido a criança gritar e chamar pela mãe. Vizinhos, entretanto, relataram que chegaram à casa no momento do tiro e encontraram o menino caído, sem condições de gritar.
A defesa do padrasto e do fazendeiro afirma que os dois não participaram do ocorrido. Os advogados dizem que a prisão temporária é uma medida cautelar adotada durante a investigação, sem representar condenação ou reconhecimento de autoria. “Eles estão à disposição da Justiça e colaborando com as autoridades”, informou a defesa. A defesa da mãe não havia se manifestado até a última atualização.


