MATO GROSSO DO SUL — A área de agricultura na Mata Atlântica de Mato Grosso do Sul aumentou 582% entre 1985 e 2025, segundo dados do MapBiomas. O território ocupado por lavouras passou de 196 mil hectares para 1,34 milhão de hectares no período.
A expansão ocorreu principalmente por meio das lavouras temporárias. A área de soja cresceu de 149 mil para 946 mil hectares. Já a cana-de-açúcar, que não estava presente na classificação de 1985, alcançou cerca de 322 mil hectares em 2025.
Natalia Crusco, pesquisadora da equipe Mata Atlântica do MapBiomas, afirmou que o resultado indica uma alteração no perfil de uso das áreas agropecuárias, com maior presença das lavouras.
Origem das áreas convertidas
De acordo com a pesquisadora, a agricultura avançou principalmente sobre áreas que já eram utilizadas pela agropecuária. Entre os 1,34 milhão de hectares classificados como agricultura em 2025, 84% eram pastagens em 1985. Outros 7% correspondiam a áreas de vegetação nativa.
As pastagens tiveram redução de 52% no período. Os dados indicam a substituição de parte dessas áreas por lavouras, além da conversão de áreas de vegetação nativa. Natalia Crusco ressaltou que a diminuição de uma classe de uso da terra não pode ser ligada a uma única causa, porque as mudanças ocorrem em diferentes contextos.
A formação florestal também recuou, com queda de 29%. Já os campos alagados e as áreas pantanosas diminuíram 8%. Segundo a pesquisadora, a redução dessas áreas não pode ser atribuída exclusivamente à expansão agrícola, embora parte delas tenha sido convertida para agricultura.
Outras mudanças
A silvicultura cresceu 731% entre 1985 e 2025. A área urbanizada aumentou 102%, passando de 9,2 mil hectares para 18,7 mil hectares.
Para Natalia, os dados não permitem estabelecer uma relação direta entre a expansão urbana e o crescimento da agricultura. São processos distintos, que podem ocorrer ao mesmo tempo e estar ligados a diferentes dinâmicas de ocupação e desenvolvimento das áreas urbanas e rurais.



