A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa restrita aos laboratórios e passou a ser aplicada em operações de empresas, serviços de saúde, atendimento ao consumidor, produção industrial e educação. Os usos incluem a identificação antecipada de falhas, a análise de grandes volumes de dados e a execução de tarefas repetitivas.
Na Gol Linhas Aéreas, um sistema examina relatórios de mecânicos e compara os dados com situações anteriores para apoiar a manutenção dos aviões. A Petrobras usa o Petronemo, treinado com informações acumuladas por 30 anos, para indicar o momento adequado de realizar serviços. A empresa estima uma economia de US$ 20 milhões nos próximos anos.
A tecnologia também é usada antes da fabricação de produtos. A PepsiCo cria réplicas digitais de fábricas e centros de distribuição para testar alterações de operação. Na Foxconn, o sistema MoMClaw reduziu 80% do tempo de diagnóstico de falhas, segundo a empresa. A Siemens lançou em março um sistema de agentes para auxiliar o desenvolvimento de chips e placas eletrônicas, com acompanhamento de engenheiros.
No atendimento, o Banco BV utiliza agentes para negociar cobranças de boletos em atraso. De acordo com Carlos Bonetti, o sistema recupera 48% dos valores cobrados nos primeiros estágios, com custo de aproximadamente um terço do atendimento convencional. O Nubank informou avanço de 37 pontos percentuais na satisfação dos clientes em testes sobre a entrega de cartões.
Na saúde, o AlphaFold, da DeepMind, passou a prever em minutos ou horas a estrutura de proteínas que poderia levar meses ou anos para ser mapeada em laboratório. A Dasa usa mais de 40 modelos para aprimorar exames e alertar equipes médicas sobre possíveis achados críticos. A CIO Anaterra Oliveira ressalta que a ferramenta assessora o médico, responsável pela decisão final.
Na educação, a Ânima Educação emprega IA na correção de provas, na criação de avaliações, na elaboração de aulas de reforço e na organização de documentos. O CIO Bruno Machado afirma que os professores continuam decidindo como a tecnologia será aplicada em sala de aula. Telma Soares, diretora do Ceia, defende que a formação sobre IA comece ainda na escola, para preparar os estudantes para o uso dessas ferramentas.
A expansão da tecnologia também levanta dúvidas sobre a relação entre pessoas e máquinas. Para o professor Anderson Rocha, da Unicamp, a IA deverá avançar junto com nanotecnologia, biotecnologia, internet das coisas e robótica. A filósofa Flaw Bone, da UFRJ, resume o desafio em uma pergunta: “Para onde queremos ir?”



