Bill Gates afirmou que a inteligência artificial pode ampliar a desigualdade caso seu desenvolvimento fique orientado apenas pelo mercado. Em declaração associada ao relatório que acompanha o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o cofundador da Microsoft disse que a tecnologia pode ser um “grande equalizador, ou ampliar a desigualdade”.
Gates comparou o momento atual à revolução da computação pessoal, mas avaliou que a IA avança em ritmo e alcance sem precedentes. Para ele, as decisões tomadas nos próximos 12 a 18 meses serão determinantes para definir se a tecnologia atenderá principalmente pessoas com maior poder aquisitivo ou também aquelas com menos recursos.
O empresário afirmou ainda que, se o desenvolvimento for deixado ao mercado, a IA poderá ser criada para as pessoas mais ricas. Ele acrescentou que a tecnologia pode ser usada para o bem, mas que isso não ocorrerá automaticamente.
A Fundação Gates anunciou a intenção de investir pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à inteligência artificial e a soluções baseadas na tecnologia. Conforme a organização, 40% dos recursos serão destinados à educação, incluindo tutoria com IA, e outros 40% serão aplicados na saúde, em áreas como diagnósticos, decisões clínicas e desenvolvimento de medicamentos e vacinas.
A agricultura receberá 10% do financiamento, com foco no apoio a pequenos agricultores. O restante será usado para construir uma base digital considerada essencial para promover equidade na aplicação da IA.
O relatório propõe que ferramentas de inteligência artificial sejam disponibilizadas em todos os idiomas falados. O documento observa que mais de 90% dos dados usados no treinamento dos primeiros modelos vieram de fontes em inglês. Também defende que países e comunidades decidam como os dados serão gerenciados e protegidos, além de propor a participação de médicos, agricultores, professores e desenvolvedores na avaliação e adaptação dessas ferramentas.
Em um ensaio de 6 mil palavras, Gates alertou para riscos associados à tecnologia, como a eliminação de empregos de nível inicial e intermediário, fraudes, desinformação, deepfakes, ataques cibernéticos e bioterrorismo. Ele também mencionou a possibilidade de modelos de IA agirem contra os interesses humanos e de a tecnologia prejudicar o desenvolvimento infantil ao substituir relacionamentos humanos por companheiros de IA.
Na declaração divulgada na terça-feira (8), Gates afirmou: “esses riscos são reais e merecem atenção séria”.



