Estudantes de engenharia de software da Universidade do Distrito Federal (UnDF) desenvolveram um jogo digital para abordar a violência contra as mulheres e o feminicídio. A produção foi reconhecida na 4ª edição da Batalha de Jogos, realizada em julho, com a participação de cinco equipes que trabalharam temas relacionados à prevenção e ao enfrentamento da violência de gênero.
A equipe vencedora foi formada por Giovanna Castro, Viviane Rodrigues e João Pedro de Araújo. O trio criou “Rota de Fuga”, game que acompanha Rosângela, uma mulher negra de 28 anos, ex-estudante de medicina, que tenta deixar a casa do agressor diante dos obstáculos impostos pelo marido.
Jogo apresenta situações de violência
A experiência combina diálogos e desafios. Inspirado no formato de escape room, o jogo exige que o usuário clique em objetos do cenário e observe as caixas de texto para descobrir como sair de cada ambiente. A narrativa aborda situações como restrição da liberdade de circulação, afastamento do convívio com amigos e violência patrimonial.
A proposta é colocar o jogador diante da complexidade das barreiras que podem ser criadas pelo agressor. João Pedro afirma que a violência doméstica pode surgir de maneira gradual e que a experiência busca questionar a ideia de que a vítima permanece na relação por escolha simples.
Para desenvolver a história, os estudantes consultaram filmes, artigos e relatos de mulheres que passaram por situações de violência. Viviane Rodrigues relata que o processo ampliou o conhecimento do grupo sobre relacionamentos abusivos e formas de denúncia. Giovanna Castro também destaca o contato com diferentes tipos de violência e com padrões de comportamento tóxicos.
Aplicação no ambiente escolar
João Pedro avalia que os jogos digitais podem contribuir para contar histórias e provocar reflexões, especialmente entre jovens em formação. Para ele, o uso desse tipo de material com meninas e meninos, acompanhado de discussões em espaços escolares, pode ajudar no combate à violência contra as mulheres.
Giovanna defende que os jogos tornam a educação mais interativa e favorecem a aprendizagem, a reflexão crítica e a conscientização sobre questões sociais. Os estudantes também consideram que “Rota de Fuga” pode ser utilizado em escolas como recurso de conscientização sobre o feminicídio.
Antônio Augusto, professor da Coordenação Interdisciplinar de Engenharias, Tecnologias e Inovação (Coeti) da UnDF, afirma que a atividade aproximou a formação acadêmica de desafios sociais. Segundo ele, a iniciativa permitiu aos universitários aplicar conhecimentos de programação, desenvolvimento de software e game design, além de exercitar criatividade, trabalho em equipe, protagonismo e responsabilidade social.
A reitora da UnDF, Fernanda Massaro, ressalta que as universidades contribuem para o enfrentamento da violência doméstica por meio da educação, da pesquisa e da inovação. Ela relaciona essas ações à promoção da reflexão, do respeito e do enfrentamento à violência.



