A existência do Elias 2-24 b foi confirmada como a do planeta mais jovem já encontrado. Com menos de um milhão de ano, o corpo ainda está em processo de formação e tem aproximadamente a mesma massa de Júpiter.
O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, na última quarta-feira (16). O planeta está em uma grande lacuna no disco de gás e poeira que envolve a estrela Elias 2-24, a cerca de 450 anos-luz da Terra.
A velocidade de formação do objeto chamou a atenção dos cientistas. O Elias 2-24 b se desenvolveu em menos de um quinto do tempo esperado para um planeta com massa semelhante à de Júpiter. Em média, a formação de um corpo desse tipo levaria cinco milhões.
Observações combinadas
A confirmação resultou da combinação de observações feitas por diferentes telescópios ao longo dos anos. O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), no Chile, havia identificado uma lacuna no disco da estrela há cerca de uma década. Depois, o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), registrou um ponto luminoso nessa região.
A equipe foi liderada por Andrea Bernardi, doutoranda da Universidade Diego Portales, no Chile. Os pesquisadores também analisaram dados de arquivo do Observatório Keck, no Havaí, e acompanharam o deslocamento do objeto entre 2018 e 2020. A análise era necessária porque havia a possibilidade de o sinal corresponder a uma estrela distante ou a um erro nas imagens.
O planeta é difícil de observar porque está cercado por grandes quantidades de gás e poeira. “Elias 2-24 b está no limite do que os telescópios atuais podem detectar”, afirmou Bernardi. Segundo a Nasa, a descoberta pode contribuir para aperfeiçoar os modelos de formação planetária e ajudar a compreender como planetas gigantes se formam rapidamente e a grandes distâncias de suas estrelas.
O telescópio Roman
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, tem um coronógrafo mais potente e poderá detectar planetas que são difíceis de observar com outros equipamentos. Entre os alvos estão corpos em órbitas menores e possíveis planetas semelhantes a Júpiter, atualmente ocultados pelo brilho intenso de suas estrelas hospedeiras.
“Este é apenas o começo de uma nova era de descobertas”, disse Lucas Cieza, professor do Instituto de Estudos Astrofísicos do Chile e coautor de um artigo sobre os resultados. Para ele, o Roman ampliará a busca por planetas e permitirá observar a formação desses corpos em ação.



