A preocupação com a privacidade pode retardar a adoção de dispositivos de inteligência artificial criados para ocupar o espaço deixado pelos smartphones. Empresas testam produtos capazes de observar, ouvir e responder ao ambiente, mas enfrentam receios relacionados a gravações sem consentimento e ao uso de informações pessoais.
Os óculos Ray-Ban da Meta estão entre os dispositivos mais criticados. O produto combina o design da EssilorLuxottica com a inteligência artificial da Meta e se tornou alvo de usuários, especialistas e tribunais que analisam processos relacionados à privacidade. No Reino Unido, estabelecimentos como a rede de pubs Wetherspoon restringiram o uso dos óculos.
A Meta deve apresentar óculos inteligentes sem câmera nesta quarta-feira, durante a conferência Connect, segundo informações divulgadas sobre o evento. A iniciativa ocorre enquanto as empresas tentam conquistar espaço em um mercado de smartphones avaliado em mais de US$600 bilhões.
Os fabricantes também experimentam outros formatos, como broches, pingentes e gravadores de voz que podem ser presos magneticamente a um celular. Entrevistas com executivos de tecnologia, analistas e especialistas jurídicos indicam que alguns desses produtos têm encontrado aceitação mais rápida no setor empresarial do que entre consumidores.
A Samsung planeja lançar óculos inteligentes ainda neste ano em parceria com a Gentle Monster e a Warby Parker. Jay Kim, vice-presidente executivo da divisão de dispositivos móveis da empresa, afirmou em julho que os produtos mais bem-sucedidos serão os que combinarem interação natural, utilidade e confiança. A Samsung não considera os óculos substitutos dos smartphones.
Para startups, a solução para a privacidade pode ser decisiva. Em dezembro, Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, defendeu dispositivos capazes de compreender o ambiente e identificar quando devem ajudar ou permanecer em silêncio. Segundo ele, o processamento local dos dados seria necessário para reduzir o envio contínuo de informações para servidores na nuvem.
Especialistas apontam que a utilidade desses aparelhos aumenta conforme eles coletam mais dados sobre o ambiente. Entre essas informações estão imagens de pessoas que nunca autorizaram a gravação. Por isso, câmeras sempre ligadas, microfones e sensores de percepção podem ser tanto os recursos centrais dos dispositivos quanto uma barreira para sua adoção.



