JARAGUÁ DO SUL — A Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina vai apurar a atuação de policiais durante uma ocorrência que terminou com a candidata a suplente ao Senado Fernanda Klitzke ferida e detida em Jaraguá do Sul. O episódio ocorreu na noite deste sábado (12), durante um evento político ligado a apoiadores do PT.
Imagens da abordagem mostram Fernanda sendo derrubada, atingida por chutes e alvejada nas pernas com disparos de bala de borracha. Após ser liberada da delegacia, ela recebeu atendimento médico e foi para casa. A advogada afirma que não reagiu à ação policial e considera as agressões injustificadas.
“Inicialmente foi um mata-leão de uma policial feminina”, relatou Fernanda. Segundo ela, depois de entregar as mãos, recebeu um chute, caiu no chão e foi atingida por disparos. A candidata afirma que pelo menos três tiros acertaram seu corpo, danificaram a chave do carro que estava em seu bolso e perfuraram sua calça.
Como começou a ocorrência
Conforme o registro da Polícia Militar, uma equipe foi chamada por volta das 20h15min para atender a uma reclamação de perturbação do sossego e ameaça. A solicitante relatou que o som de um veículo estacionado em frente à residência teria provocado agitação intensa em seu filho, que possui transtorno do espectro autista (TEA).
Ainda de acordo com a PM, a mulher disse ter sido ameaçada após pedir a redução do volume. Os policiais localizaram o homem apontado por ela em uma residência próxima. A corporação afirma que ele resistiu às determinações da equipe e proferiu ofensas, recebendo voz de prisão por desacato.
Durante a condução, outras pessoas teriam interferido na ação. Fernanda estava no evento e se apresentou como advogada do motorista para orientá-lo. A PM afirma que duas mulheres intervieram fisicamente e que uma policial sofreu uma lesão na mão, sendo encaminhada para atendimento médico. Ao todo, três pessoas foram levadas à delegacia.
A corporação informou que o emprego da força será submetido aos procedimentos institucionais de análise e controle. O comando da Polícia Militar de Jaraguá do Sul declarou que a apuração considerará as circunstâncias da ocorrência e a atuação dos agentes.
Reações ao caso
Em vídeo, o governador Jorginho Mello, candidato à reeleição pelo PL, classificou o episódio como uma armadilha da esquerda contra a Polícia Militar de Santa Catarina.
O PT de Santa Catarina solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) uma apuração urgente. O candidato ao governo de Santa Catarina Gelson Merisio (PSB) também pediu providências ao presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, e manifestou solidariedade a Fernanda.
O TRE-SC informou que acompanha os desdobramentos do episódio e declarou confiar na apuração dos fatos pelas autoridades competentes. Décio Lima, candidato ao Senado na chapa em que Fernanda é 2ª suplente, afirmou que a advogada teve suas prerrogativas profissionais desrespeitadas e criticou a violência registrada.
A Polícia Militar informou que os fatos foram registrados e serão integralmente analisados pela Corregedoria-Geral da corporação.



