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Dados do MPSC apontam histórico de violência antes de 68,9% dos feminicídios em SC

Santa Catarina registrou 38 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, enquanto especialista cobra ações do governo estadual.

Imagen incluida en el documento original proporcionado

Dados do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) indicam que 68,9% das mulheres vítimas de feminicídio já haviam passado por episódios anteriores de violência. O estado registrou 38 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, conforme o Observatório da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa.

O Mapa do Feminicídio também aponta que 71% dos casos analisados foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros, no contexto de relações afetivas. Para uma integrante da promotoria de Justiça que atua na área, os números mostram falhas na rede estadual de proteção. Ela não teve o nome divulgado por precaução diante de possíveis represálias.

“Existem sinais antes da morte. Existem agressões anteriores, existem ameaças, existem mulheres procurando ajuda”, afirmou a especialista. Na avaliação dela, o governo de Jorginho Mello precisa ser responsabilizado pela falta de prioridade política no enfrentamento à violência contra as mulheres.

Atendimento e medidas protetivas

Entre janeiro e agosto de 2026, foram requeridas 22.619 medidas protetivas em Santa Catarina. Mais da metade dos feminicídios, 56,4%, ocorreu durante a noite ou a madrugada. O intervalo entre a noite de sexta-feira e a madrugada de segunda-feira concentrou 41,1% dos crimes.

A Polícia Civil de Santa Catarina mantém atendimento virtual especializado em tempo integral, com possibilidade de registro de ocorrência e pedido de medida protetiva. A crítica apresentada pela especialista é dirigida à falta de atendimento presencial especializado e ininterrupto nos períodos de maior risco. A Assembleia Legislativa já discutiu propostas para ampliar o funcionamento das delegacias especializadas para 24 horas.

Outra ferramenta citada é o monitoramento eletrônico de agressores. Dados da Polícia Penal mostram que, em maio deste ano, mais de 560 pessoas eram monitoradas por envolvimento em violência doméstica e mais de 90 por violência sexual. Em sete meses de atuação integrada na Central de Emergências, foram registrados mais de 800 casos em que violações cometidas por monitorados exigiram o acionamento da Polícia Militar.

Os dados de monitoramento e de medidas protetivas não correspondem ao mesmo grupo de pessoas. Ainda assim, a especialista defende o uso mais amplo das tornozeleiras em situações avaliadas como de maior risco. O Plano Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres 2025–2035 prevê recursos para esse tipo de monitoramento quando houver medida protetiva.

Críticas a manifestações do governador

A especialista também questiona a postura pública de Jorginho Mello em episódios relacionados à violência. Em um caso ocorrido em Jaraguá do Sul, o governador defendeu policiais militares envolvidos em uma abordagem que deixou a advogada e candidata a suplente ao Senado Fernanda Klitzke (PT) imobilizada e ferida.

Registros em vídeo mostram que ela foi contida pelos agentes, atingida por munição de impacto controlado e chutada. A Polícia Militar declarou que houve desacato e resistência, e informou que a conduta dos policiais seria analisada pela Corregedoria-Geral. A ocorrência também passou a ser acompanhada pela OAB e pelo TRE-SC.

Para a especialista, autoridades devem considerar o efeito de suas declarações em um estado com índices elevados de violência contra a mulher. “Um governador deveria usar a força do cargo para dizer que violência contra a mulher não será tolerada em nenhuma circunstância”, afirmou.

Santa Catarina teve 52 feminicídios em 2025. Nos oito primeiros meses de 2026, já eram 38 mulheres assassinadas por razões de gênero. Na avaliação da integrante da promotoria, a responsabilização pelo crime é do agressor, mas o poder público deve manter uma rede capaz de interromper a escalada de violência antes do assassinato.

Chimelly Louise de Resenes Marcon, coordenadora-geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas do MPSC, também questionou, durante a apresentação do Mapa, onde estavam as vítimas antes do desfecho e por que os casos anteriores não foram identificados pelos serviços de proteção.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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