RIO DE JANEIRO — O policial militar Carlos Fernando Dias Chaves foi condenado a 30 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelas mortes de Tiago Guimarães Dingo, de 24 anos, e Jorge Lucas Paes, de 17. A Justiça determinou ainda a perda do cargo público na Polícia Militar.
Os jovens passavam de moto pela Pavuna, na Zona Norte do Rio, em 29 de outubro de 2015. Chaves, que era sargento do 41º BPM (Irajá), estava em uma viatura durante um patrulhamento quando abriu fogo contra a motocicleta. Ele confundiu com um fuzil o macaco hidráulico transportado por Jorge. As vítimas foram atingidas pelas costas e morreram no local.
Pela morte de Tiago, a pena estabelecida foi de 16 anos. Pela morte de Jorge, foram fixados 14 anos de reclusão. A decisão também determinou que Chaves deixe a corporação.
Na sentença, a juíza Lúcia Glioche afirmou que o policial havia recebido treinamento para agir de forma técnica, com uso progressivo da força e respeito à legalidade e à vida humana. Para a magistrada, a permanência do réu na administração pública é incompatível com a gravidade dos crimes.
Após os disparos, o policial se apresentou na 39ª DP (Pavuna) para prestar depoimento e admitiu o erro. Em dezembro de 2015, a Polícia Civil realizou a reconstituição do caso. Durante o procedimento, foram disparados tiros na região, e o Batalhão de Choque deu apoio às equipes.
As mortes provocaram revolta entre moradores e parentes. No enterro de Tiago, policiais militares foram hostilizados por um grupo de pessoas.


