A rede pública estadual de Santa Catarina registrou 6.846 casos de violência contra profissionais da educação em 2025, conforme dados apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte/SC). O levantamento do Núcleo de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola (Nepre) aponta média de 44 ocorrências por dia letivo.
Os dados foram discutidos em uma audiência pública solicitada pelo Sinte/SC, realizada no Plenarinho da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Professores relataram agressões dentro das escolas e denunciaram a falta de apoio institucional após os episódios.
Nos últimos quatro anos, 4.819 docentes foram vítimas de agressões. Informações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) indicam ainda que 1 em cada 100 escolas teve o calendário interrompido por episódios de violência. Além disso, 1 em cada 20 diretores relatou casos de porte de armas por estudantes.
Campanha e propostas
Durante a audiência, o Sinte/SC lançou a campanha “Violência não. Respeito à Educação!”, com cobrança por medidas imediatas de proteção e valorização profissional. A presidente da entidade, Elivane Secchi, afirmou que a violência também está relacionada ao achatamento da carreira e à precarização salarial.
A deputada Luciane Carminatti (PT), que presidiu a mesa, apresentou uma minuta de Projeto de Lei para criar protocolos de atendimento às vítimas, com medidas de acolhimento, suporte jurídico e assistência psicológica aos trabalhadores atingidos. Participaram do encontro representantes do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) e da Secretaria de Estado da Educação (SED). A secretária da Educação, Luciane Ceretta, não compareceu.
“Precisamos agir com urgência, proteger nossos educadores e garantir um ambiente seguro para ensinar e aprender”, afirmou Carminatti.
O Observatório Nacional da Violência contra Educadores também divulgou resultados de um estudo quantitativo sobre agressões contra profissionais da educação no país. Segundo o levantamento, a censura se tornou uma das violências mais disseminadas e atinge todos os níveis e etapas da educação. Entre os entrevistados, 57% apontaram profissionais da área pedagógica como principais agentes de violência, seguidos por familiares dos estudantes (44%) e pelos próprios alunos (34%).




