Um novo estudo indica que Mercúrio pode ter diminuído mais do que apontavam as medições anteriores. A contração do raio do planeta, antes estimada em 8,3 quilômetros, foi recalculada para 11,6 quilômetros — valor que os pesquisadores ainda consideram subestimado.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Hokkaido, da Universidade de Tóquio e do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Publicado na Geophysical Research Letters, o trabalho analisou formações geológicas conhecidas como estruturas de encurtamento, que ajudam a identificar a redução do tamanho de Mercúrio.
Marcas apagadas na superfície
O encolhimento do planeta está relacionado ao resfriamento de seu núcleo. Com a perda de parte da força interna, a movimentação das placas tectônicas se altera, favorecendo o surgimento de escarpas, despenhadeiros e outras formações associadas à contração da superfície.
O problema é que impactos de meteoritos podem apagar essas marcas. Áreas atingidas, especialmente as consideradas mais jovens, ficam cobertas pela dispersão de materiais da superfície. Dessa forma, os sinais usados para calcular quanto Mercúrio diminuiu podem desaparecer.
Para revisar a estimativa, os pesquisadores compararam regiões mais preservadas, nas quais as marcas de encolhimento são mais fáceis de observar, com áreas de superfície mais acidentada. Também confrontaram dados antigos com uma nova forma de análise, que incorporou as informações identificadas nesse processo.
Gaku Nishiyama, pesquisador principal do estudo, afirmou que a superfície de Mercúrio funciona como um registro de seu resfriamento e de sua contração. “Ainda assim, o registro está incompleto”, disse. De acordo com os pesquisadores, a comparação entre o mapa global da superfície acidentada e os mapas das estruturas de encurtamento revelou uma contração maior do que a indicada pelos registros disponíveis.



