Pesquisadores identificaram DNA do vírus da varíola ovina em pergaminhos medievais, incluindo páginas do Evangelho de York, documento com mais de mil anos. O estudo foi publicado na revista Science Advances em 2 de setembro.
A varíola ovina é uma doença altamente contagiosa e letal para ovelhas, especialmente para animais jovens. A preservação do material genético nos pergaminhos indica que documentos produzidos com pele animal podem guardar informações sobre os patógenos presentes no organismo do animal no momento da morte.
Pesquisadores da University College Dublin, na Irlanda, reconstruíram mais de 3,5 mil anos da história do vírus. A expectativa é que a análise de outras páginas antigas permita investigar agentes infecciosos associados a grandes surtos do passado.
Kevin G. Daly, um dos autores do estudo, afirmou que a pesquisa foi possível pela colaboração entre diferentes áreas. “Descobertas tão fascinantes e surpreendentes só são possíveis quando pesquisadores de diversas áreas se unem”, disse em comunicado à imprensa.
Vestígios em dentes de ovelhas
A investigação também examinou dentes de ovelhas da Idade do Bronze, alguns com mais de 3,7 mil anos. Os resultados indicam que o vírus já estava presente nos rebanhos daquele período.
A análise aponta que a varíola ovina se diferenciou da varíola caprina e da doença da pele modular entre 11,5 mil e 3,7 mil anos atrás. O intervalo coincide com o surgimento da domesticação de animais.
Louis L’Hôte, pesquisador citado no estudo, disse que ainda há um surto de varíola ovina na Grécia, com prejuízos para os criadores. Ele também afirmou que os genomas antigos podem contribuir para entender a evolução de patógenos atuais. Segundo o pesquisador, o genoma do vírus da varíola ovina permaneceu muito estável ao longo dos últimos milênios, diferentemente do vírus da varíola humana.
Os cientistas avaliam que essas informações poderão contribuir para o combate à doença no futuro.



