CABO CANAVERAL — A Nasa anunciou mais 359 milhões de dólares em apoio financeiro e técnico à Boeing para modernizar a cápsula Starliner e certificar novos foguetes. A agência prevê um voo não tripulado com suprimentos para a Estação Espacial Internacional até dezembro. As missões com astronautas foram adiadas para 2028.
O anúncio foi feito pelo administrador da Nasa, Jared Isaacman, na Flórida. A medida busca corrigir falhas identificadas durante a missão de testes realizada em 2024 e preservar uma alternativa própria para o transporte orbital de tripulações.
Correções e avaliação de risco
A missão foi conduzida pelos astronautas Butch Wilmore e Suni Williams, que permaneceram na Estação Espacial Internacional por quase um ano após problemas na Starliner. Eles retornaram à Terra nove meses depois em uma espaçonave da SpaceX. O voo foi reclassificado pela Nasa como um acidente de Tipo A, categoria de maior gravidade adotada pela instituição para riscos à tripulação.
Entre as mudanças previstas estão a substituição e o aprimoramento de válvulas e vedações do sistema. A gerente do programa, Dana Weigel, afirmou que todas as falhas precisam ser resolvidas antes da autorização para o embarque de novos astronautas. As alterações estruturais podem exigir meses ou anos de desenvolvimento técnico.
Woody Hoburg, escolhido para comandar a próxima missão da Starliner, disse estar honrado em seguir os passos de Wilmore e Williams, que classificou como heróis americanos. Isaacman também reiterou o compromisso da Nasa com a Boeing.
A agência mantém a estratégia de contar com dois sistemas americanos independentes para transportar tripulações. Desde 2020, a SpaceX é a única empresa privada a realizar esse serviço comercial para a Nasa. A empresa pretende aposentar os foguetes Falcon 9 e as cápsulas Dragon nos próximos anos para concentrar esforços no desenvolvimento da Starship, voltada a missões à Lua e a Marte.
A Estação Espacial Internacional tem desativação prevista para 2031. Empresas privadas americanas desenvolvem novas estações orbitais comerciais, que deverão demandar serviços regulares de transporte espacial. A Nasa considera a operação da Starliner necessária para atender a futuras missões de exploração espacial humana.



