SANTA CATARINA — Uma atualização do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) elevou a previsão para o pico do El Niño entre 2026 e 2027. O modelo projeta anomalia de até 3,4°C, acima do limite de 3°C associado a episódios de intensidade histórica.
Na região Niño 3.4, uma das referências para acompanhar o fenômeno, o aquecimento ficou relativamente estável em torno de +1,8°C nas últimas quatro semanas. A projeção, porém, indica que o El Niño ainda não chegou ao auge.
A previsão iniciada em 1º de setembro aponta anomalia média entre 3,3°C e 3,4°C durante o próximo trimestre, formado por setembro, outubro e novembro. Os cenários mais extremos chegam perto de 3,7°C.
A atualização também antecipou o período do pico. Em agosto, parte dos cenários indicava valores abaixo de 3°C, com máximas entre novembro e dezembro. Agora, os maiores valores aparecem entre outubro e novembro, o que sugere uma intensificação mais rápida nos próximos meses.
Chance de intensidade muito forte
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) calcula probabilidade de 93% de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre entre setembro e novembro. A expressão “super El Niño” é usada popularmente para episódios que alcançam ou ultrapassam 2°C acima da média, mas não corresponde a uma classificação científica oficial.
A meteorologista Ana Maria Pereira Nunes, da Meteored, explica que os modelos são atualizados mensalmente com observações recentes da atmosfera e do oceano. A NOAA ressalta que um El Niño mais intenso não significa necessariamente impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos também variam conforme os sistemas meteorológicos, a umidade do solo e as vulnerabilidades de cada local.
Atenção em Santa Catarina
Segundo a Defesa Civil, a atuação do El Niño contribuiu para volumes de chuva acima da média no inverno deste ano em Santa Catarina, período que normalmente é menos chuvoso no estado. Também foram registrados diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas.
Para a meteorologista Laura Rodrigues, da Epagri, a primavera exige atenção porque costuma aumentar a frequência e a intensidade dos sistemas que provocam chuvas e tempestades. A combinação desses fatores torna a estação o principal período de alerta desde o estabelecimento do fenômeno no estado.



