Um terremoto de magnitude 8,8 ocorrido em julho de 2025 na península de Kamchatka, na Rússia, pode ter contribuído para a erupção do vulcão Krasheninnikov, que estava sem atividade havia cerca de 475 anos. A análise foi conduzida por pesquisadores liderados pela Universidade de Exeter, no Reino Unido.
O vulcão liberou uma grande coluna de fumaça poucos dias depois do tremor. Antes disso, não havia sinais claros de movimentação de magma. Imagens de satélite indicavam que o solo estava afundando lentamente, enquanto não era detectada emissão de gases vulcânicos.
Dois dias após o terremoto, pequenos tremores foram registrados ao redor do Krasheninnikov. Dados obtidos por satélite sugeriram que o magma passou a avançar pela crosta terrestre. A estimativa dos pesquisadores é de que cerca de 32 milhões de metros cúbicos tenham subido de um reservatório localizado a aproximadamente seis quilômetros de profundidade.
A hipótese apresentada é que o terremoto não tenha causado uma mudança imediata e suficiente na pressão do reservatório. A vibração prolongada, porém, pode ter estimulado o crescimento de bolhas no magma, que acumulava gases ao longo de séculos. O aumento da pressão interna teria deixado o sistema instável e permitido a subida do material.
Kamchatka reúne uma das maiores concentrações de vulcões do mundo, mas a maioria deles permaneceu estável após o terremoto. Para os autores, a diferença está nas condições internas de cada estrutura. No caso do Krasheninnikov, o reservatório poderia estar em uma situação sensível, sem sinais visíveis na superfície.
Os pesquisadores afirmam que vulcões considerados inativos podem conservar condições favoráveis a uma erupção quando submetidos a estímulos externos, como terremotos de grande magnitude.
A análise foi divulgada em versão pré-print na plataforma EarthArXiv na última quarta-feira (2/9). O estudo ainda não passou por revisão por pares, mas aponta que a relação entre atividades sísmica e vulcânica pode envolver mecanismos mais complexos.



