MIRANDA — Os ipês rosados floresceram mais tarde em 2026 e foram registrados no fim de setembro na Fazenda Caiman, em Miranda (MS). Em períodos habituais, as árvores começam a florescer em junho e colorem o Pantanal até o início da primavera.
A alteração ocorreu em um ano marcado pela influência do El Niño, com mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas da região. O biólogo José Milton Longo, especialista em ipês, relaciona o atraso às condições climáticas observadas no período.
"Foi um setembro mais chuvoso e como eles são regulados pela temperatura e umidade, eles respondem dessa forma, mesmo que seja atemporal", explica Longo. Para o biólogo, o aumento das chuvas associado ao El Niño pode modificar a ocorrência de eventos extremos e interferir no clima, afetando também os ciclos de reprodução das espécies.
Sequência de cores mudou
A ordem tradicional de floração também foi alterada. Em geral, os ipês roxos e rosados aparecem primeiro, a partir de junho. Na sequência, florescem os amarelos e, por último, os brancos. Neste ano, porém, os amarelos voltaram a florescer após uma segunda frente fria, enquanto os brancos tiveram uma floração intensa no início do período.
"Bagunçou tudo. O amarelo floresceu de novo naquela segunda frente fria atrás. Os brancos tiveram aquela explosão de cor bem no comecinho, e deveriam estar florescendo agora", afirmou o biólogo.
A floração ocorre durante a estiagem. Com a redução das chuvas, as árvores perdem as folhas e direcionam energia para a produção de flores, que atraem insetos e aves responsáveis pela polinização.
Cada árvore permanece florida por cerca de cinco a sete dias. Conforme a espécie e as condições climáticas, o período de floração pode se estender entre junho e outubro. Existem cerca de 100 espécies de ipê, árvores que podem atingir até 30 metros de altura. Em Mato Grosso do Sul, o ipê é considerado símbolo do estado.



