Pesquisadores do Inatel desenvolveram um espelho inteligente capaz de estimar sinais vitais sem contato físico com o usuário. Por meio de uma câmera, o sistema analisa o rosto e apresenta informações como frequência cardíaca, respiração e nível de oxigênio no sangue.
A tecnologia é apresentada no HackTown 2026. Para realizar a medição, a pessoa deve se sentar diante do espelho e permanecer imóvel. O processamento das imagens identifica alterações na face relacionadas aos sinais vitais e mostra os resultados em cerca de 30 segundos.
“Usamos uma aplicação em Python para fazer a detecção de imagem”, explica Arilson Xavier de Souza Costa, engenheiro de computação e um dos desenvolvedores. De acordo com ele, a inteligência artificial ajuda a reconhecer os sinais presentes no rosto e a exibir as informações quase em tempo real.
Como a leitura é feita
O funcionamento tem lógica semelhante à de smartwatches que acompanham a frequência cardíaca. Enquanto esses dispositivos usam sensores que emitem luz e registram a resposta da pele, o espelho utiliza a câmera para identificar variações associadas ao volume sanguíneo.
Aline Patta Marcondes, engenheira de software e integrante da equipe, afirma que a câmera consegue perceber mudanças de cor no rosto relacionadas ao fluxo sanguíneo. A análise parte da luz refletida pela pele, cuja variação pode ser registrada pelo equipamento mesmo quando não é percebida a olho nu.
O desenvolvimento começou há cerca de um ano, com estudos sobre técnicas de coleta remota de sinais vitais. Os pesquisadores analisaram trabalhos existentes e transformaram os conceitos em código.
Precisão e possibilidades de uso
A equipe comparou os resultados com equipamentos médicos de referência, incluindo um oxímetro semelhante aos usados em hospitais. O grupo não informou uma taxa exata de precisão.
A iluminação do ambiente ainda é analisada porque interfere na luz captada pela câmera. O movimento também pode atrapalhar, embora os desenvolvedores afirmem que esse fator é mais simples de tratar.
No futuro, a solução poderá ser adaptada para câmeras de smartphones. A possibilidade inclui um aplicativo para medições em casa, desde que haja boa iluminação e que a pessoa permaneça estável por pelo menos 60 segundos. Registros frequentes também poderiam formar um histórico dos sinais vitais para ser levado a consultas médicas.
O espelho está nas etapas finais de desenvolvimento.



