FOZ DO IGUAÇU — O espaço que serviu de alojamento para trabalhadores da construção da usina de Itaipu abriga hoje o Itaipu Parquetec, ecossistema voltado à integração entre pesquisa, tecnologia, inovação, negócios e empreendedorismo. Localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, o parque conecta universidades, centros de pesquisa, startups e poder público.
A estrutura reúne três universidades, três Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), três ambientes de inovação no Paraná e uma rede com mais de 90 laboratórios. As pesquisas aplicadas já deram origem a mais de 400 projetos, além de softwares, marcas e patentes. Entre 2025 e 2026, o Hub de Negócios viabilizou mais de R$85 milhões em contratos com empresas-membro.
Para Eduardo de Miranda, diretor de Negócios e Empreendedorismo do Itaipu Parquetec, a integração entre os participantes permite transformar resultados científicos em iniciativas com aplicação econômica. “É nessa conexão que enxergamos o papel estratégico do Itaipu Parquetec, ao transformar inovação em desenvolvimento econômico e sustentável para a região e para o país”, afirma.
Formação de empresas e talentos
A incubadora do parque recebeu mais de 500 startups desde 2006 e utiliza uma metodologia certificada no nível máximo da Anprotec, o CERNE 4. As ações de formação também alcançaram mais de sete mil estudantes entre 2024 e 2026, aproximando universidades, empreendedorismo e mercado.
A STAC é um dos exemplos desse percurso. Criada a partir de uma ideia desenvolvida em uma das universidades do ecossistema, a empresa desenvolveu uma solução para o setor avícola com uso de inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT). Atualmente, está presente em oito estados e monitora mais de 100 milhões de aves.
No turismo, o Smart CTI permite que o Complexo Turístico Itaipu seja usado como ambiente real para desenvolver, testar e validar tecnologias antes da chegada ao mercado.
Impacto econômico e pesquisa aplicada
Em 2025, o Itaipu Parquetec movimentou R$312,7 milhões na economia brasileira. O impacto econômico chegou a R$434,17 milhões, com a geração de R$1,39 para o Produto Interno Bruto (PIB) a cada R$1 investido.
O parque também conduz pesquisas relacionadas à transição energética, incluindo hidrogênio de baixo carbono, biocombustíveis e sistemas avançados de armazenamento. Entre os projetos apresentados está o primeiro barco brasileiro movido 100% a hidrogênio verde, exibido na COP30.
Na transformação digital, o Itaipu Parquetec concentra competências em inteligência artificial, robótica e automação. A proposta é aproximar infraestrutura, conhecimento científico e empresas para criar soluções e ampliar sua aplicação em mercados nacionais e internacionais.



