A Volkswagen aprovou por unanimidade o Future Plan 2030, pacote que prevê mudanças na operação global da montadora, novos cortes de empregos e uma redução significativa no número de veículos oferecidos. O plano foi aprovado pelo conselho supervisor após meses de negociações.
Quatro fábricas na Alemanha — Emden, Zwickau, Hannover e Neckarsulm — estão sem uma destinação de produção considerada competitiva após o encerramento dos ciclos dos produtos atuais. Esses ciclos devem terminar entre 2031 e 2034. A empresa pretende avaliar alternativas para as instalações até junho de 2027.
O pacote acrescenta 50 mil cortes aos outros 50 mil empregos já incluídos em acordos com os sindicatos. Com isso, a reestruturação pode eliminar aproximadamente 100 mil postos nas operações globais. A Volkswagen tinha cerca de 663 mil funcionários, e a segunda rodada de cortes equivale a aproximadamente 7,5% da força de trabalho mundial.
Menos modelos e capacidade produtiva
A companhia também enfrenta excesso de capacidade na Europa. A produção possível na região supera a demanda em mais de 500 mil veículos por ano, volume equivalente ao de duas grandes fábricas de montagem.
Até 2035, a Volkswagen prevê reduzir em 50% o portfólio global de veículos e diminuir em aproximadamente 75% a complexidade da operação. Versões de nicho, modelos de baixo volume e diferentes conjuntos de motorização estão entre os itens que devem ser reduzidos.
A empresa avalia usos alternativos para instalações que perderão a produção atual e mantém conversas com empresas do setor de defesa. Nenhum acordo foi concretizado até o momento.
Metas financeiras
O plano estabelece margem operacional de 9% em 2030, com vendas anuais planejadas de 9 milhões de veículos. A estimativa é alcançar € 31 bilhões de lucro operacional, limitar os custos indiretos a € 37 bilhões e restringir os gastos com investimentos e pesquisa e desenvolvimento a € 135 bilhões entre 2027 e 2031.
A Volkswagen também pretende reduzir em um terço seu portfólio de investimentos, com a venda ou reorganização de atividades consideradas não estratégicas. Os ativos imobiliários da empresa passarão por uma revisão.



