A tecnologia Inverter pode reduzir o consumo de energia ao ajustar continuamente a velocidade do compressor conforme a necessidade de refrigeração. Presente principalmente em aparelhos de ar-condicionado e geladeiras, o sistema tende a aproveitar melhor os períodos em que o equipamento não precisa operar na capacidade máxima.
Nos modelos convencionais, o compressor funciona em dois estados: ligado ou desligado. Quando a temperatura ultrapassa o valor selecionado, ele é acionado e trabalha até atingir o nível desejado. Depois, desliga e volta a funcionar quando o ambiente esquenta novamente. Esse ciclo pode se repetir várias vezes durante o uso.
No Inverter, um circuito eletrônico chamado inversor de frequência controla a energia fornecida ao motor. A variação da frequência altera a rotação e permite que o compressor trabalhe em diferentes níveis de potência. Como explica Cinthia Coelho, engenheira eletricista, mestre em Engenharia Elétrica e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), “o ganho energético principal vem da modulação da capacidade e da operação eficiente em carga parcial”.
Por que o consumo pode ser menor
Todo motor elétrico exige mais corrente no momento da partida, quando precisa vencer a inércia e colocar suas partes móveis em movimento. Nos aparelhos convencionais, esse processo ocorre novamente sempre que o compressor é ligado.
O Inverter reduz a necessidade desses ciclos sucessivos. Depois da partida, o compressor pode diminuir ou aumentar a velocidade de acordo com a demanda. O principal ganho, porém, não está apenas na redução dos picos de corrente, mas na possibilidade de operar com eficiência em carga parcial.
Essa condição ocorre quando o aparelho não precisa trabalhar em sua capacidade máxima para manter a temperatura. Depois que o ambiente é refrigerado, o equipamento pode reduzir a rotação e compensar apenas o calor que continua entrando, em vez de desligar e esperar a temperatura subir.
A vantagem tende a ser maior em usos longos e contínuos, especialmente quando há variação na carga térmica. Incidência de sol, abertura de portas e janelas, quantidade de pessoas e funcionamento de outros aparelhos podem mudar a necessidade de refrigeração. Em situações de carga muito elevada, no entanto, o compressor pode permanecer próximo da capacidade máxima, reduzindo a oportunidade de economia proporcionada pela modulação.
O aparelho Inverter sempre economiza?
Não. A palavra Inverter não deve ser o único critério de compra. Equipamentos com a mesma tecnologia podem ter consumos diferentes, dependendo do projeto, da capacidade e da eficiência de cada modelo.
A comparação deve ser feita entre aparelhos de mesma capacidade, considerando o consumo informado na etiqueta do Inmetro. No ar-condicionado, o dimensionamento também é fundamental. A capacidade, normalmente indicada em BTUs, precisa ser compatível com o ambiente. Um equipamento subdimensionado pode trabalhar por muito tempo perto do limite, enquanto escolher um aparelho mais potente não garante economia.
O cálculo deve levar em conta o tamanho do cômodo, a incidência de sol, a quantidade de pessoas, o isolamento e a presença de equipamentos que produzem calor. Janelas mal vedadas, portas abertas, temperatura selecionada e filtros ou serpentinas sujos também podem elevar a demanda de refrigeração.
Como avaliar o retorno do investimento
Como os modelos Inverter podem custar mais, a decisão depende da relação entre preço, consumo e perfil de utilização. A estimativa pode ser feita dividindo a diferença de preço entre os aparelhos pela economia mensal esperada na conta de luz.
Para estimar essa economia, é possível usar o consumo indicado na etiqueta do Inmetro e o custo efetivo da energia elétrica. Os valores da etiqueta, porém, são obtidos em condições padronizadas. O consumo real varia conforme o tempo de funcionamento, a temperatura escolhida, as condições climáticas e as características do ambiente.
Quem usa o ar-condicionado diariamente durante muitas horas tende a aproveitar mais rapidamente a eficiência do Inverter. Em uso ocasional, o tempo para recuperar o investimento adicional pode ser muito maior ou nem ocorrer durante a vida útil do equipamento. Portanto, a tecnologia pode reduzir o consumo, mas o resultado depende do modelo, da instalação, da manutenção e da forma de uso.



