RIO DE JANEIRO — O Ministério Público Federal (MPF) afirma que o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, participou da negociação de armas, equipamentos antidrones e drogas com grupos criminosos. A denúncia também aponta negócios com o Comando Vermelho (CV), a Amigos dos Amigos (ADA) e o Terceiro Comando Puro (TCP).
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) recebeu a denúncia e manteve TH Joias preso em uma penitenciária federal. Com a decisão, cinco acusados se tornaram réus: além do ex-parlamentar, Gabriel Dias de Oliveira, o Índio; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu; Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual; e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel.
Armas e equipamentos antidrones
Segundo o MPF, TH Joias intermediou a venda de uma arma capaz de derrubar drones ao traficante Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, do Complexo do Alemão. Em uma conversa de outubro de 2023, o ex-deputado perguntou se Pezão havia visto um vídeo em que demonstrava o funcionamento do equipamento. Na mensagem, afirmou: “R$ 750 mil o mais barato. Mas não vende para qualquer um”.
A denúncia diz que os equipamentos foram comprados na China por Dudu, por meio de uma empresa dele, e revendidos a grupos criminosos. Entre os produtos estavam bazucas antidrones e detectores de aeronaves. Uma bazuca teria custado R$ 19,4 mil, enquanto um detector foi adquirido por R$ 21,5 mil.
O MPF também descreve uma negociação com Wallace da Costa Trindade, o Lacoste, apontado como um dos chefes do TCP. Em 27 de setembro de 2024, Dudu ofereceu a ele um fuzil e dois carregadores. A arma teria sido apreendida na comunidade Cesar Maia, em Vargem Pequena, área com territórios controlados pelo CV. A denúncia não informa como o armamento teria sido desviado para a venda.
Ainda de acordo com o órgão, Lacoste teria comprado pelo menos 148 quilos de cocaína do grupo ligado a TH Joias. A entrega teria ocorrido em 24 de agosto de 2024, em uma negociação feita por Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, com intermediação de Dudu.
Relações com a ADA e acusações de tráfico
A ligação investigada com a ADA aparece em mensagens e na apreensão de R$ 175 mil em um carro que saiu da Vila Vintém em 5 de abril de 2024. O veículo foi abordado por policiais militares na Avenida Brasil, com Luiz Eduardo Cunha Gonçalves dentro. Ele declarou que o dinheiro vinha da venda de um carro.
Em 25 de abril de 2025, Dudu teria enviado mensagem a Alessandro Pitombeira Carracena dizendo que precisava devolver a quantia ao “velho”, identificado pelo MPF como Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, fundador da ADA. O advogado Max Marques negou que o dinheiro pertencesse a Celsinho e afirmou que a defesa desconhece quem seria o “velho” mencionado. Também disse que ninguém ofereceu cargo ao cliente e que ele está à disposição das autoridades.
A denúncia registra ainda uma conversa de 9 de junho de 2024 na qual TH Joias orienta Dudu a verificar se Celsinho gostaria de indicar alguém para um cargo público. Carracena teria desaconselhado a nomeação por causa da comissão de compliance da Alerj.
O MPF atribui a TH Joias três episódios de tráfico, relacionados à venda, ao depósito e à oferta de drogas. Uma planilha chamada “PÓ AMIGO TH”, imagens de sacos de entorpecentes e a mensagem “tem 200 kg” estão entre os elementos apresentados na denúncia. O documento menciona inicialmente cocaína, mas identifica como maconha o conteúdo dos sacos ao descrever as imagens.
Além do tráfico de drogas, TH Joias responde por organização criminosa majorada, contrabando de equipamentos, corrupção ativa e comércio ilegal de armas de fogo e munições. A acusação integra a ação penal derivada da Operação Zargun, que investigou corrupção e comércio ilegal de armas e drogas, incluindo o tráfico internacional de armas do Paraguai para comunidades do Rio.




