RIO DE JANEIRO — O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil realizaram, nesta quinta-feira, uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de recursos destinados a reformas de escolas estaduais. A ação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e pediu o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados.
A Operação Escola de Papel mira integrantes da antiga direção da Secretaria estadual de Educação (Seeduc), entre eles a ex-secretária Roberta Oliveira, o genro dela e um ex-subsecretário responsável pela área de infraestrutura. Empresários, um capitão do Corpo de Bombeiros e um policial militar também estão entre os alvos.
Equipes foram até a residência de Roberta Oliveira, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, mas encontraram o imóvel vazio e arrombaram a entrada. A operação é coordenada por promotores com Atribuição Originária Criminal do procurador-geral de Justiça e pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf), da Polícia Civil.
Os investigadores apuram possíveis crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Auditorias e investigações apontam suspeitas de contratos sem licitação, possível cartel e direcionamento de empresas para executar obras em unidades da rede estadual durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro.
Saques e contratos sob investigação
A apuração começou após informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre retiradas frequentes de cerca de R$ 500 mil em uma agência bancária de Duque de Caxias. Em 16 de janeiro, agentes acompanharam o administrador da MCK Reformas, empresa contratada para obras em escolas. O dinheiro foi transportado em uma sacola plástica, dentro de uma caminhonete blindada conduzida por um policial militar armado.
Em depoimento, o empresário afirmou que a empresa recebeu cerca de R$ 6 milhões por aproximadamente 15 obras, mas que apenas R$ 2 milhões teriam sido aplicados nos serviços. Conforme a investigação, os R$ 4 milhões restantes ficaram com um intermediário ligado às contratações e ao controle da conta bancária.
Os recursos eram transferidos pela Seeduc às Associações de Apoio às Escolas (AAEs) e, depois, às empresas responsáveis pelas reformas. Para os investigadores, havia indícios de preços acima do custo real e direcionamento dos contratos. A empresa investigada recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em recursos públicos em 2025; no mesmo período, R$ 8,93 milhões foram sacados em espécie.
O Gabinete de Segurança Institucional do governo do Estado estima que contratações irregulares tenham somado R$ 1,6 bilhão entre 2023 e 2025. O objetivo da operação é identificar os destinatários do dinheiro e reunir provas sobre os núcleos administrativo, empresarial e financeiro investigados.




