A Neuralink divulgou um vídeo de Terry, paciente com esclerose lateral amiotrófica (ELA), usando pensamentos para se comunicar por meio de uma voz sintetizada. O participante perdeu a capacidade de falar em razão da doença e conseguiu dizer “eu te amo” à esposa com auxílio do implante cerebral experimental.
Terry participa do VOICE, estudo clínico da Neuralink voltado a pessoas com comprometimento grave da comunicação. O teste utiliza o N1, uma interface cérebro-computador capaz de captar a atividade neural e convertê-la em texto ou voz.
O dispositivo é colocado em uma área do cérebro associada ao planejamento da fala. Eletrodos registram os sinais gerados quando o paciente tem a intenção de falar. A Neuralink treina algoritmos de inteligência artificial para reconhecer os padrões relacionados a essa intenção. Depois, o sistema transforma os sinais em texto e, posteriormente, em voz sintetizada.
Componentes e cirurgia
O N1 tem quatro componentes principais. Um invólucro biocompatível protege os elementos eletrônicos e é tolerado pelo organismo. No interior ficam chips que processam os sinais neurais e os enviam sem fio ao aplicativo da Neuralink. O programa transforma os dados em comandos para dispositivos externos.
A atividade cerebral é captada por fios de eletrodos ultrafinos e flexíveis, desenvolvidos para reduzir danos ao tecido durante e depois da implantação. O sistema também conta com uma bateria recarregável por indução, sem cabos, projetada para consumir pouca energia e permitir o uso contínuo.
A cirurgia é realizada com um robô desenvolvido pela própria Neuralink, responsável por inserir os fios no cérebro. Depois, o implante fica acomodado no crânio e coberto pelo couro cabeludo.
A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios motores. Com o avanço do quadro, a perda de força muscular pode comprometer a fala, a deglutição e a respiração. A doença costuma se manifestar entre os 55 e os 75 anos e é mais frequente em homens.
Dispositivo ainda experimental
Fundada em 2016, a Neuralink desenvolve dispositivos para registrar sinais cerebrais e estabelecer comunicação direta entre o cérebro e computadores. Os primeiros implantes em humanos foram feitos em janeiro de 2024, inicialmente para permitir que pessoas com paralisia controlassem computadores e celulares com o pensamento.
O N1 ainda está em fase de testes e não tem aprovação da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, para uso geral. A Neuralink afirma que o dispositivo continua sob investigação e que os resultados obtidos com um participante podem não se repetir em outros pacientes.



