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Fábrica do Galeão formou profissionais e produziu 471 aeronaves antes da Embraer

Criada em 1936, a fábrica funcionou até 1965 e ajudou a desenvolver tecnologia e mão de obra para a aviação brasileira.

Fábrica do Galeão formou profissionais e produziu 471 aeronaves antes da Embraer
Foto: Foto Arquivo/Agência O Globo

A Fábrica de Aviões do Galeão foi uma das primeiras experiências brasileiras de produção industrial de aeronaves. Criada no Rio em 1936, a unidade funcionou, entre interrupções e retomadas, até 1965. Ao longo de 29 anos, produziu 471 aviões e formou profissionais que depois atuaram no Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) e na Embraer.

A origem da fábrica está ligada à instalação da aviação naval brasileira na Ponta do Galeão, na Ilha do Governador, ainda na década de 1920. Naquele período, Marinha e Exército operavam as aeronaves das Forças Armadas. Entre 1927 e 1935, a Aviação Naval comprou 143 aviões, enquanto a Aviação do Exército adquiriu outros 554. Em janeiro de 1935, porém, 60 aeronaves da primeira força estavam paradas, e somente um terço da esquadrilha do Exército podia operar.

A falta de estrutura para manter os aviões importados levou a Marinha a enviar aos Estados Unidos uma equipe chefiada pelo oficial aviador Raymundo Vasconcellos Aboim. A missão não avançou. Em seguida, Aboim negociou com a fabricante alemã Focke-Wulf Flugzeugbau um acordo que previa treinamento de trabalhadores e transferência de tecnologia.

Cooperação internacional e produção

Os primeiros técnicos alemães chegaram ao Rio no segundo semestre de 1936 para treinar profissionais brasileiros. O grupo era liderado por Wilhelm Heinrich Friedrich Stein, que permaneceu no país, tornou-se brasileiro naturalizado em 1951 e participou da fundação da Embraer em 1969.

A parceria com a Alemanha resultou, em 1938, na produção dos primeiros FW 44 Stieglitz, conhecidos como Pintassilgo, usados para treinamento militar. A fábrica também montou o bombardeiro bimotor FW 58 Weihe. O acordo foi encerrado depois do início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, e do rompimento das relações entre Brasil e Alemanha, em 1942, quando o país entrou no conflito ao lado dos Aliados.

A produção continuou por meio de acordos com os Estados Unidos e, mais tarde, com a Holanda. Na fase americana, a fábrica produziu o Fairchild M-62 (PT-19), chamado Cornell. Na etapa seguinte, com a participação da Fokker, foi montado o S.11 (T-21), avião de treinamento básico de pilotos que voou pela primeira vez em 1947.

O Museu Aeroespacial (Musal), no Campo dos Afonsos, mantém exemplares ligados às diferentes fases da fábrica. Entre eles estão um Fairchild M-62 (PT-19) produzido no Galeão em 1942 e um S.11 (T-21). O acervo também inclui um FW 44 produzido na Argentina em 1932. Um FW 58 está em manutenção e, por isso, não está exposto.

Formação de mão de obra

Para a historiadora Thatiane Piazza de Melo, do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer), a unidade marcou a passagem de experiências isoladas para uma política voltada ao desenvolvimento tecnológico do setor aéreo. Ela destaca o contato com processos industriais, engenharia, controle de qualidade e métodos de produção que ainda não faziam parte da indústria brasileira.

O capitão-tenente Vagner Rigola, da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), afirma que o aprendizado dos trabalhadores brasileiros foi um elemento central do projeto: “Vieram engenheiros, peças e tecnologia estrangeira, mas o fundamental é que o processo envolveu também trabalhadores brasileiros”.

A experiência também contribuiu para a formação das equipes que atuaram no CTA e, posteriormente, na Embraer. Segundo o comandante Pedro Canabarro, piloto e integrante da Comissão de História da Aviação da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac), a principal contribuição da fábrica foi criar uma base de conhecimento técnico e de profissionais especializados para o desenvolvimento da indústria aeronáutica no país.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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