RIO DE JANEIRO — Uma pessoa é presa ou apreendida a cada 33 roubos registrados no Estado do Rio de Janeiro. No caso do estelionato, a proporção é de uma prisão a cada 323 ocorrências. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP) e abrangem o período entre janeiro de 2025 e março de 2026.
Nas delegacias fluminenses, foram registradas mais de 1,3 milhão de ocorrências de crimes no período. Furto, estelionato e roubo responderam por quatro em cada dez registros. Na outra ponta, pouco mais de 60 mil adolescentes foram apreendidos e adultos foram presos em flagrante nos mesmos 15 meses.
Diferença entre registros e prisões
Entre os detidos, 26% — ou 15.934 pessoas — foram presos ou apreendidos por tráfico ou associação para o tráfico. A proporção equivale a um detido a cada três registros desses crimes. Receptação e adulteração de sinal de veículo automotor também aparecem entre os delitos com mais prisões.
Para furto, houve uma prisão ou apreensão a cada 23 ocorrências registradas no estado. Considerando roubos, foram 3.775 prisões e apreensões, incluindo tentativas. Nos casos de furto e tentativa de furto, foram 10.244 flagrantes. Estelionato, também com tentativas incluídas, resultou em 579 prisões.
O único tipo de furto entre os cinco crimes com mais detenções foi o cometido contra estabelecimentos comerciais. Nesse grupo, houve 3.656 prisões e apreensões no período.
A capital concentrou 36% de todos os presos no estado, proporção semelhante à das apreensões de adolescentes. Nove em cada dez detidos são homens. Entre os adultos, 28% têm entre 18 e 21 anos, enquanto 38% não concluíram o ensino fundamental. Entre os adolescentes apreendidos, 54% têm o ensino fundamental incompleto.
Ocorrências na capital
Na cidade do Rio, foram registrados mais de 90 mil casos de estelionato entre janeiro de 2025 e março de 2026, mas apenas 261 pessoas foram presas pelo crime. O município concentra cerca de 65% dos furtos, 63% dos roubos e 49% dos estelionatos registrados no estado.
Na capital, houve uma prisão a cada 27 ocorrências de furto. Na Barra da Tijuca, essa relação foi de uma prisão a cada 14 furtos. O Centro aparece entre os bairros com maior incidência dos principais delitos. A Tijuca lidera em número de roubos depois do Centro, enquanto a Barra da Tijuca ocupa o primeiro lugar em estelionatos.
O delegado Niandro Lima, titular da 5ª DP (Mem de Sá), afirmou que a concentração de turistas pode contribuir para o aumento dos roubos no Centro e na Lapa. Segundo ele, pessoas distraídas podem se tornar alvos de criminosos.
O cientista social e pesquisador do LAV/UERJ Robson Rodrigues relacionou a concentração de registros na capital à população e à heterogeneidade do estado e da cidade. Para ele, esses fatores devem ser considerados pelas autoridades de segurança no planejamento das ações.
A Polícia Civil informou que usa dados estatísticos e de inteligência para orientar suas operações. A corporação afirmou que os números de prisões não devem ser analisados isoladamente, pois a atuação policial também envolve identificar autores, esclarecer crimes, desarticular organizações criminosas e recuperar bens.
A Polícia Militar declarou que registros feitos posteriormente em delegacias da Polícia Civil também entram nas bases usadas pelas forças de segurança. Esses dados ajudam a identificar locais, horários, tipos de ocorrência e padrões de criminalidade.



