RIO DE JANEIRO — Candidatos ao governo do Rio adotaram gestos com as mãos para divulgar números de urna, letras ligadas aos nomes e símbolos de campanha. Em alguns casos, os movimentos também foram adaptados para evitar confusão com adversários, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou com sinais associados a uma facção criminosa.
Eduardo Paes (PSD), líder das pesquisas, abre as duas mãos para formar o 55, número de seu partido. O gesto aparece em atividades como a subida da Igreja da Penha e carreatas. Garotinho (Republicanos) faz movimento semelhante, mas mantém as duas mãos espalmadas lado a lado para formar o 10.
A diferença entre os dois sinais está na posição das mãos. Paes coloca uma sobre a outra. Questionado sobre a possibilidade de confusão, o candidato afirmou: “É uma estratégia (colocar uma mão sobre a outra), mas não perde voto por causa disso, não”. A declaração foi dada enquanto ele caminhava para a casa da Tia Surica, em Oswaldo Cruz.
Douglas Ruas (PL) usa o indicador e o dedo do meio das duas mãos para representar o 22, também em referência ao número do partido.
Letras, apelidos e símbolos
André Marinho (Novo) forma a letra “M” com o indicador, o dedo do meio e o anelar, virados para baixo. A campanha informou que o candidato mantém os dedos nessa posição para diferenciar o sinal daquele associado à facção criminosa Terceiro Comando Puro, identificada pelo gesto chamado de “tudo três”.
William Siri (PSOL) não usa letras nem números. Ele bate os dedos contra a palma da mão, movimento chamado de “sirizinho”, que também virou figurinha de WhatsApp. O gesto está ligado ao apelido do candidato.
Cyro Garcia (PSTU) e Juliete (UP) costumam erguer o punho durante os atos, preferencialmente o esquerdo, segundo o candidato do PSTU. O símbolo também aparece na bandeira da UP.
Coronel Busnello (Missão) e Luan Monteiro (PCO) são os únicos candidatos citados na disputa ao governo sem gestos de identificação.
Sinal inspirado no “L”
Dr. Luzinho, líder do PP na Câmara dos Deputados e candidato pelo Rio, reproduz nas ruas um gesto associado aos apoiadores de Lula. No caso do deputado, porém, o símbolo inclui o dedo do meio, além do polegar e do indicador. Segundo ele, o gesto é usado desde 2018 e foi alterado em 2022 para se diferenciar de Lula, que disputou a Presidência naquele ano.
O candidato também negou relação entre seu gesto e a comemoração do atacante German Cano, do Fluminense. “Não tem nada a ver com o jogador, não. Para reforçar e deixar bem claro: sou Flamengo de coração”, afirmou.



