Pesquisadores identificaram um mecanismo que ajuda borboletas a escapar de predadores durante o voo: a combinação entre os desenhos das asas e o movimento de bater delas cria padrões visuais capazes de confundir aves durante a captura.
O estudo foi conduzido por equipes da Universidade de Exeter e da Universidade de Essex. A investigação buscou explicar por que poucos predadores são especializados em capturar borboletas no ar, apesar de esses insetos apresentarem asas com cores, formatos e tamanhos marcantes.
Durante o voo, as asas se deformam, enquanto as listras mudam de ângulo e apontam para direções diferentes a cada batida. Esse movimento interfere na percepção visual dos predadores, que podem ter dificuldade para avaliar a direção e a velocidade do inseto.
Jolyon Troscianko, um dos autores da pesquisa, afirmou que a combinação entre esses padrões e trajetórias de voo imprevisíveis produz efeitos parecidos com a ilusão do poste de barbeiro. Nesse tipo de ilusão, listras em um cilindro parecem se mover em uma direção diferente daquela indicada pelo movimento real.
“Combinado com seus caminhos de voo imprevisíveis, esse padrão cria ilusões de movimento similares às do poste de barbeiro”, explicou Troscianko. Segundo ele, o efeito pode fazer o predador perder a presa ou atingir apenas uma pequena parte das asas.
Análise das asas
Para testar a hipótese, os pesquisadores filmaram o bater de asas das borboletas com uma câmera capaz de registrar até mil frames por segundo. A velocidade das imagens permitiu observar o movimento de modo semelhante ao que predadores como aves poderiam perceber.
A equipe analisou os desenhos das asas de 400 espécies de borboletas europeias. A maior parte apresentava padrões considerados ilusórios. Testes feitos em computadores indicaram que esses desenhos se movimentam durante o voo de uma maneira que pode atrapalhar o ataque dos predadores.
George Hancock, outro pesquisador envolvido no estudo, destacou que o resultado ajuda a explicar a presença de padrões chamativos nas asas, mesmo porque poucas espécies europeias são tóxicas ou não comestíveis. “parece estranho que as borboletas tivessem evoluído para serem tão chamativas”, afirmou.



