CAMPO GRANDE — Nilson da Silva, de 73 anos, reencontrou nesta quarta-feira (1º) o Opala Luxo 1977 que estava desaparecido havia 35 dias. O veículo foi localizado abandonado pela Polícia Militar cerca de uma hora após a divulgação do caso e estava sem grandes avarias na carroceria.
O aposentado chegou à delegacia levando uma mala com documentos e se emocionou ao ver o carro. O Opala estava sujo, com os pneus desgastados e o interior mexido. Fusíveis haviam sido espalhados, os tapetes estavam fora do lugar e algumas peças tinham sido movimentadas.
Mesmo com as alterações, Nilson considerou o reencontro um alívio. “O meu diamante está recuperado”, afirmou. Ele também contou que voltou a comer e a sorrir depois de passar os últimos dias com dificuldades para dormir e sem apetite.
O carro é verde-esmeralda perolizado, tem duas portas e quatro rodas SS. Nilson comprou o Opala em julho de 2023, em Tangará da Serra (MT), depois de conhecê-lo em um grupo de carros antigos. O veículo havia sido restaurado em São Paulo e chegou a Campo Grande em uma cegonha.
Ao longo da vida, Nilson trabalhou como motorista de caminhão, caminhoneiro e guincheiro. A paixão por veículos antigos o levou a reunir 11 carros, entre eles uma BMW de 1992, um Fusca 1972 e um Jeep 1968. Com o Opala, ele calcula ter percorrido menos de 100 quilômetros em cerca de três anos.
Desaparecimento e investigação
O caso começou em 25 de agosto, quando Nilson procurou ajuda para resolver um problema elétrico no carro. Um homem indicado por um conhecido foi até a casa dele, avaliou o veículo e disse que o reparo deveria ser feito em uma oficina.
Nilson comprou uma bateria nova, pagou R$ 170 pelo guincho e acompanhou o transporte até um endereço no bairro Santa Luzia. Depois, passou a receber pedidos de dinheiro para supostos serviços e peças. As cobranças incluíam reparos elétricos, rádio, funilaria, materiais que viriam de São Paulo e uma troca de engrenagens do câmbio.
A última entrega ocorreu em 8 de setembro, quando o homem recebeu R$ 5,1 mil na casa de Nilson. Ao todo, os pagamentos chegaram a R$ 15,3 mil, valor registrado no boletim de ocorrência.
O contato foi interrompido por volta de 11 de setembro. Depois de perceber que havia sido bloqueado, Nilson voltou ao endereço onde deixara o Opala e encontrou o imóvel fechado. O carro também não estava mais no local. Em 15 de setembro, ele procurou a Polícia Civil. O caso é investigado como estelionato.
Procura pelo carro
Nilson mora sozinho há mais de 30 anos e estava acostumado a manter o Opala na garagem. Na terça-feira (30), ao mostrar o espaço vazio, ele chorou e relatou que havia perdido a vontade de comer e já considerava não encontrar o veículo.
A divulgação das imagens e das características do carro ajudou a localizá-lo. Menos de uma hora depois, a Polícia Militar informou que havia encontrado o Opala abandonado em Campo Grande.
Nilson preferiu não sair dirigindo. Chamou um guincho para levar o veículo de volta para casa, onde pretende cuidar dele antes de colocá-lo novamente na rua. Depois de 35 dias, o carro retornou à garagem que havia ficado vazia.



